Arquivo para agosto 2010

Saindo do forno… Apfelstrudel

26/08/2010

Já perceberam como certos cheiros e aromas despertam, na gente, inúmeras recordações? Pois acaba de acontecer comigo… Passando pela cozinha do restaurante onde trabalho, sinto um aroma que me fez voltar a ser uma menininha, uma adolescente, uma jovem mulher… O aroma desperta a minha memória mais doce e volto ao tempo: estou na casa dos meus avós em SC curtindo as férias de verão.

Minha avó, uma Austríaca da Estíria, junto com meu avô, um Vienense, não abriam mão de algumas receitas deliciosas de pratos salgados e doces, que ficaram famosas pelo mundo afora. O meu fraco, os doces!

Sempre que passávamos as férias de verão com eles, éramos presenteados com essas delícias austríacas e, claro, o Strudel fazia parte do especial cardápio.

O Strudel pode ser feito de duas formas: com massa folhada ou com massa simples. Minha avó fazia a massa simples, trabalhava a massa e depois esticava com rolo até que ficasse super fina, quase tão fina quanto uma folha de jornal. Depois que a massa estivesse esticada e fina a seu contento, ela espalhava as lâminas de maçã verde, uvas passas, farinha de rosca, baunilha, um pouco de açúcar, canela, algumas nozes picadinhas e ainda salpicava uma dose de rum.  Depois, levava ao forno para assar. Ah, os aromas dos ingredientes iam se fundindo, espalhando pela cozinha e nos outros cômodos. Aos poucos despertando os nossos sentidos e o desejo de saborear logo essa delícia chamada Apfelstrudel.

Minha avó alternava entre o Strudel de maçã verde, o de peras e o de ricota.  Todos são deliciosos e não consigo escolher a minha preferida. Gulosa, será?

Aqui onde trabalho, o Strudel também é servido ainda quente, com creme de chantilly e/ou sorvete de creme.  Já passaram pelo cardápio: Strudel de ameixa, de ricota e de manga. Sim, todos deliciosos!

Hoje com certeza irei saborear o Apfelstrudel e lembrar com carinho dos meus avós. E com vocês, quais são os cheiros e aromas que despertam essas deliciosas recordações?

Casa da Suíça - Apfelstrudel

Viande de Grison

25/08/2010

Uma opção de entradinha bem gostosa para se degustar é a Viande de Grison (Carne do Cantão Grison) – Carne de boi fortemente temperada, marinada e seca ao vento, cortada em lâminas bem  finas, servida com cebolinha e pepino em conserva. 

Casa da Suíça - Viande de Grison

A Viande de Grison também é usada como acompanhamento de algumas receitas oferecidas no cardápio.  Uma com maior destaque é a Raclete; o queijo com a Viande de Grison e o pepino em conserva é uma combinação mais do que perfeita! Experimente e depois me conte o que achou!!

Coelho com Molho de Pimenta Verde – Menu Inverno

23/08/2010

Hoje a dica é sobre uma carne saborosa e saudável… O Coelho…

Lapin au poivre vert (Coelho com Molho de Pimenta Verde) – O coelho é desossado e cortado em pequenos cubos, marinado em vinho tinto e licor de ervas. Depois, é salteado na manteiga clarificada. Do marinado é feito o molho que leva, ainda, a pimenta verde. Servido com croquete de batata e tomatinhos cereja salteados.

Casa da Suíça - Lapin au Poivre Vert

Venha experimentar!

Sobremesa com Café…

20/08/2010

Hoje vou falar sobre algo que adoro…

O Café!

Adoro o aroma, o gosto, quente ou gelado… Isso mesmo, eu adoro tomar café de tudo que é jeito. Até gelado. No verão então, é uma delícia! Eu sei, eu sei, a maioria estranha esse meu gosto. Adoro sorvete de café, torta de café e se ainda tiver chocolate, fica perfeito! Já experimentaram sorvete de creme com café expresso bem quente? É uma sobremesa simples e gostosa que os italianos fazem, chamada de “Affogato”. Uma sobremesa feita com café que muitos conhecem é o “Tiramisu”, outra gelada sobremesa italiana.

Agora, para mim, a sobremesa campeã e que desperta os sentidos, fazendo realmente com que todos ‘ágüem’ é o Crepe de Caf, que servimos aqui Casa da Suíça. É uma sobremesa finalizada à mesa. Numa frigideira coloca-se um pouco de manteiga e um pouquinho açúcar. Mexe-se bem, para não embolar, até formar um caramelo claro. Acrescenta-se uma redução de café e deixa-se ferver para dissolver tudo. Colocam-se os crepes e depois se flamba com conhaque e licor Tia Maria. Serve-se com uma bola de sorvete. Divino! O aroma agradável e convidativo do café simplesmente invade os nossos poros, mesmo que não estejamos sentados ao lado da mesa em que está sendo preparada. Invade literalmente todos os ambientes do restaurante e faz com que a maioria queira experimentar essa delícia. Quem já experimentou entende bem o que estou dizendo.

Então, que tal pedir um “Crepe de Café” na próxima vez em que estiver aqui conosco?!

Pato com repolho roxo – Menu Inverno

19/08/2010

Esses dias eu tenho sentido uma saudade dos meus avós maternos, que moram em SC. Meu avô faleceu recentemente, então essa saudade fica meio nostálgica… Uma das coisas que sempre lembro com um sorriso, era o prazer dele em comer, comer bem! Um dia acompanhei meu avô numa visita de trabalho a uma fábrica têxtil em Jacaragua do Sul.  No almoço, nos deliciamos com uma iguaria típica, marreco com repolho roxo…  A saudade aperta e por isso a dica de hoje será um prato delicioso do Menu Inverno.

Casa da Suíça - Canard Cou Rouge - Menu Inv10

Canard au Chou Rouge (Pato com repolho roxo) – O pato é assado e cortado em pedaços pequenos, montado em cima do repolho roxo. Servido com mini ‘kartoffelpuffel’. É um prato típico do inverno da Europa Central.

Espero que gostem!

E finalizo com uma frase que li esta semana que resume bem o que sinto…

“Saudade é o amor que fica!”

Szegediner Goulasch – Menu Inverno

18/08/2010

 (Goulash de Szegedin) – Szegadin é um vilarejo bem pequeno na Hungria, onde foi criado este prato. Um goulash tradicional tem pesos iguais de carne e cebola. Neste prato, ao invés de se usar carne de boi, usa-se a carne de porco. Deixa ferver a carne, cebola e o principal tempero – a páprica – e, meia hora antes de chegar ao ponto da carne estar tenra, acrescenta-se o chucrute (a mesma medida da carne e cebola). Originalmente é servido com batatas cozidas, mas servimos com outros acompanhamentos, dependendo da escolha do cliente.

Casa da Suíça - Szegediner Goulasch Inv10

Um prato saboroso e perfeito para encarar esse friozinho da estação!!

Menu Tamanho Família agora aos domingos!

16/08/2010

Depois do sucesso no Dia dos Pais, o chef Volkmar resolveu atender aos tantos pedidos de nossos clientes e vai manter o Menu Tamanho Família no cardápio de domingo.

Outra Crônica…

12/08/2010

Ainda bem sentimental por conta do Dia dos Pais… divido com vocês uma outra crônica que fiz em homenagem ao meu pai…

CRÔNICA GASTRONÔMICA

(Uma Homenagem a meu pai)

             O Chef e Proprietário vê dois casais entrando em seu restaurante. Se aproxima e, elegantemente, os aborda:

– Muito boa tarde! Mesa para quantas pessoas? – pergunta, em seu tom sério.

– Somos quatro não fumantes, por favor.

– Por favor, me acompanhem. Aqui está: uma ótima mesa com vista para o jardim. Senhores, nossos cardápios. Vocês gostariam de um drinque?

– Sim. – responde um deles – Hoje é um dia especial e queremos comemorar. Prosecco, por favor!

– Muito bem.

O garçom se aproxima e serve os couverts. Nisso, outro garçom, encarregado das bebidas, traz na bandeja as taças com o líquido de coloração dourado claro e cheio de borbulhas – perfeito para celebrar qualquer ocasião!

Os quatro brindam e se deleitam com o vinho espumante bem gelado e sorriem com as cócegas no nariz que as borbulhas causam!

O grupo belisca o couvert enquanto estuda o cardápio. Acabam escolhendo uma das opções consideradas um clássico na Gastronomia: um Flambado. Filé Mignon à moda do Chef – criação do Chef e Proprietário da casa.

Com o pedido feito, começam os preparativos. O carrinho onde os flambados são feitos é levado até a mesa. Os garçons aos poucos trazem os apetrechos necessários, como a frigideira, as bebidas, o moinho de pimenta, os temperos… Tudo pronto. 

It’s show time’!

O Chef e Proprietário chega com a experiência do testemunho de seus cabelos grisalhos, a seriedade (e até certa imponência) de suas sobrancelhas grossas e escuras. Um Mestre em sua arte! Acende o fogo e coloca a frigideira, para esquentar bem. E explica para sua plateia de quatro pessoas, ávidas por informação e atenção, que flambar na mesa do cliente é a forma profissional de alto nível de finalizar o prato, que tem parte dos seus ingredientes pré-grelhados ou pré-cozidos na cozinha. O prato a ser preparado era até simples, mas de preparação um tanto ‘dramática’.

Flambar significa somente acender a ‘chama da vida’ e permitir que o álcool das bebidas usadas no preparo se evaporem no meio das chamas, dessa forma concentrando os sabores e essências dos ingredientes sem o teor alcoólico. Cozinhar em ‘chamas’ é uma forma simples de dar vida e sabores incríveis ao prato.

Enquanto o Mestre, trajando um blazer típico de sua terra natal (seria um fraque?), explica a magia dos flambados, pega os talheres – suas batutas –, iniciando, assim, a sinfonia dos sentidos.

Coloca a manteiga clarificada na frigideira e o bacon picadinho para dar o um toque defumado. Acrescenta o filé mignon pré-grelhado e temperado.  Parece até que os conterrâneos Austríacos de outra época influenciam seus movimentos cadenciados.

Sim, a influência de Haydn ou Mozart ou os Strauss (pai e filho)… ou será que é a influência de todos eles? Criadores de um estilo inesquecível, verdadeiros Mestres e Maestros!

O nosso Maestro continua regendo suas batutas, moendo a pimenta do moinho. A musicalidade das iguarias na frigideira, misturada aos temperos, transforma o ambiente em verdadeiros ‘alegretos’ de aromas. 

Sua pequena plateia logo recebe o apoio dos olhares das mesas vizinhas, que transformam suas conversas animadas em prolongadas pausas de silêncio e deslumbramento para o solo executado com maestria…

O Maestro faz o sinal. Todos seguram a respiração para um dos pontos altos da apresentação. Ele acrescenta Calvados à frigideira e a encosta no fogo…  Surgem lindas labaredas, que engolem o filé e o molho. O Maestro continua a trabalhar com suas batutas e logo as chamas se acabam. Ele reserva o filé mignon e começa a preparar o molho, com ervas frescas, maçã e aipo (bem picadinhos), um pouco de poivre vert e acrescenta vinho branco bem seco. Deixa o molho reduzir. Depois, com movimentos elegantes, acrescenta molho inglês, mostarda e queijo roquefort cortado em cubos pequenos. Após misturar todos os ingredientes, acrescenta molho Demi-glace e um pinguinho de creme de leite.

Os garçons se aproximam e trazem nos pratos o acompanhamento: rösti e fundo de alcachofra na manteiga recheada com petit-pois à francesa.

O Maestro, agora, recoloca o filé mignon na frigideira e deixa o molho e a carne apurarem por alguns momentos. Fatia o filé mignon e começa a montar os pratos, que serão servidos simultaneamente pela equipe.

‘Rufam’ os tambores anunciando o clímax final do espetáculo…  Ao som do ‘bon apetit’ do Maestro é feito o convite ao prazer dos comensais!

Sim, nosso Maestro recebe a influência de conterrâneos tão ilustres que sua apresentação solo mais parece a Sonata dos Flambados, num movimento rápido com a apresentação dos ingredientes – o desenvolvimento e a transformação de cada um deles em várias fases distintas, horas mais lentas, horas mais dançantes, chegando ao movimento final, energeticamente e conclusivo, com a apresentação de todas as etapas reunidas no ‘Grand finale’!

Claudia Wendlinger

10 de abril de 2007

Uma crônica… Lembranças de Diana

09/08/2010

Com as emoções e as saudades a mil por conta do Dia dos Pais, resolvi dividir com vocês uma pequena crônica que escrevi em 2008, numa forma de homenagear meu avô, então muito doente, e meu pai… Espero que gostem!!

Lembranças de Diana

Diana já tinha tudo planejado. Iriam celebrar o primeiro aniversário de casamento num Restaurante que considera muito especial e que seu marido não conhecia por terem se mudado recentemente para o Rio. Ela possui ótimas lembranças de várias comemorações realizadas nesta casa e, principalmente, dos almoços de domingo em família, ainda com a presença de seus avós. Seu avô sempre brincava: escolheria o prato em sua homenagem.  Diana se sentia importante, acreditava que seu avô tinha inventado o prato especialmente para ela.

 

O grande dia chegou e Diana levou seu marido ao restaurante para celebrar em grande estilo. Assim que chegaram eles foram calorosamente recebidos pelo anfitrião e seus escudeiros. Devidamente acomodados à mesa, Diana pede espumante, para brindar. O couvert é servido com sua deliciosa cesta de pães feitos na casa.  Ao tirar o pedido, o anfitrião, com toda a seriedade de sua cabeleira grisalha, sorri e pergunta: ‘o de sempre?’ Diana pisca o olho e diz que sim!

 

O marido observa a tudo com admiração, já que um carrinho é encostado à mesa, contendo vários potinhos com temperos diferentes e algumas garrafas. Diana comenta com seu marido: ‘você vai comer um clássico, não somente da gastronomia, mas também da minha vida. ‘

 

O Chef pega as suas batutas e inicia sua performance. Esquenta a frigideira e acrescenta a manteiga clarificada, filés batidos bem fininhos e temperados. Doura dos dois lados e acrescenta pimenta do moinho. Um pouco de conhaque é acrescentado e os filés são engolidos pelas chamas. O famoso ato de flambar acaba de acontecer…  

 

Tudo é feito com tanta maestria e sincronia que desperta a curiosidade de todos à volta. Os filés são retirados e reservados. Na frigideira, um pouco mais de manteiga clarificada é adicionada. Logo após, são adicionadas cebolas picadinhas, salsa, ervas frescas, molho inglês, um pouco de demi-glacê e creme de leite. Tudo é bem misturado. A noz moscada é ralada e os filés recolocados no molho. O Maestro retira os filés com os talheres – aliás, com as batutas – e os acomoda no centro do prato acrescentando um pouco do molho. A frigideira retorna ao fogo com o restante do molho e é acrescentado arroz branco misturado com salsa, presunto picadinho e petit-pois frescos. Tudo é bem misturado e acrescentado aos filés. O Chef finaliza seu grande ato dizendo: ‘Voilá, Steak Diana! Bon apetit!!’

 

Diana agradece com os olhos marejados e seu marido sorri, entendendo tudo imediatamente. Eles brindam mais uma vez e celebram de forma especial o primeiro ano de casados.

Sim, a Casa da Suíça é uma casa que serve ainda a gastronomia clássica e que consegue agradar as mais diversas gerações.

 

(Claudia Wendlinger – 29 de agosto de 2008)

Feliz Dia dos Pais!

08/08/2010

feliz dia dos pais