Uma crônica… Lembranças de Diana

Com as emoções e as saudades a mil por conta do Dia dos Pais, resolvi dividir com vocês uma pequena crônica que escrevi em 2008, numa forma de homenagear meu avô, então muito doente, e meu pai… Espero que gostem!!

Lembranças de Diana

Diana já tinha tudo planejado. Iriam celebrar o primeiro aniversário de casamento num Restaurante que considera muito especial e que seu marido não conhecia por terem se mudado recentemente para o Rio. Ela possui ótimas lembranças de várias comemorações realizadas nesta casa e, principalmente, dos almoços de domingo em família, ainda com a presença de seus avós. Seu avô sempre brincava: escolheria o prato em sua homenagem.  Diana se sentia importante, acreditava que seu avô tinha inventado o prato especialmente para ela.

 

O grande dia chegou e Diana levou seu marido ao restaurante para celebrar em grande estilo. Assim que chegaram eles foram calorosamente recebidos pelo anfitrião e seus escudeiros. Devidamente acomodados à mesa, Diana pede espumante, para brindar. O couvert é servido com sua deliciosa cesta de pães feitos na casa.  Ao tirar o pedido, o anfitrião, com toda a seriedade de sua cabeleira grisalha, sorri e pergunta: ‘o de sempre?’ Diana pisca o olho e diz que sim!

 

O marido observa a tudo com admiração, já que um carrinho é encostado à mesa, contendo vários potinhos com temperos diferentes e algumas garrafas. Diana comenta com seu marido: ‘você vai comer um clássico, não somente da gastronomia, mas também da minha vida. ‘

 

O Chef pega as suas batutas e inicia sua performance. Esquenta a frigideira e acrescenta a manteiga clarificada, filés batidos bem fininhos e temperados. Doura dos dois lados e acrescenta pimenta do moinho. Um pouco de conhaque é acrescentado e os filés são engolidos pelas chamas. O famoso ato de flambar acaba de acontecer…  

 

Tudo é feito com tanta maestria e sincronia que desperta a curiosidade de todos à volta. Os filés são retirados e reservados. Na frigideira, um pouco mais de manteiga clarificada é adicionada. Logo após, são adicionadas cebolas picadinhas, salsa, ervas frescas, molho inglês, um pouco de demi-glacê e creme de leite. Tudo é bem misturado. A noz moscada é ralada e os filés recolocados no molho. O Maestro retira os filés com os talheres – aliás, com as batutas – e os acomoda no centro do prato acrescentando um pouco do molho. A frigideira retorna ao fogo com o restante do molho e é acrescentado arroz branco misturado com salsa, presunto picadinho e petit-pois frescos. Tudo é bem misturado e acrescentado aos filés. O Chef finaliza seu grande ato dizendo: ‘Voilá, Steak Diana! Bon apetit!!’

 

Diana agradece com os olhos marejados e seu marido sorri, entendendo tudo imediatamente. Eles brindam mais uma vez e celebram de forma especial o primeiro ano de casados.

Sim, a Casa da Suíça é uma casa que serve ainda a gastronomia clássica e que consegue agradar as mais diversas gerações.

 

(Claudia Wendlinger – 29 de agosto de 2008)

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One Comment em “Uma crônica… Lembranças de Diana”

  1. Alzira Cortinoves Says:

    Estive ontem na Casa da Suiça para comemorar quatro anos de um casamento feliz!
    Essa casa na verdade é minha velha conhecida, e além de ser dirigida por amigos pelos quais tenho extremo carinho, dispensa maiores comentários!
    O sabor de tudo que experimentamos lá vem sempre recheado de muito amor. Quando se faz o que se ama é assim: espalha-se pelo mundo essa mesma energia.
    Ao provar o Filet mignon “Grand Veneur” fiquei extasiada!
    Meu marido conferiu uma outra excelente pedida – medalhões aos três molhos! Ulalá!!
    Isso tudo regado a um bom vinho e ao maravilhoso atendimento de Volkmar, Arnaldo e sua turma.
    Não podia dar ouutra coisa… Saímos de lá “nas nuvens” e sinceramente, a cada dia que passa tenho certeza de que esse, sem dúvida, é um dos melhores restaurantes do Rio, onde podemos desfrutrar não só de uma comida “dos deuses”, como também de todo o aconchego do ambiente e das pessoas responsáveis por esse eterno sucesso!
    Obrigada pela noite e pelo jantar maravilhoso!
    E aos que não foram ainda, não percam!!.. Mesmo que não tenham “quatro anos de um feliz casamento” para comemorar, … 🙂
    Alzira


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